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sábado, 6 de fevereiro de 2021

Vocês estão prontos para os lockdowns climáticos?

          Este é um artigo publicado no site da revista The Spectator, escrito pelo colaborador Stephen L. Miller, com o título Are you ready for the climate lockdowns? Foi publicado em 5 de fevereiro de 2021. 

          Dada a relevância do tema, tomei a liberdade de fazer uma tradução para este blog. Boa leitura!

          VOCÊS ESTÃO PRONTOS PARA OS LOCKDOWNS CLIMÁTICOS? 

          É só uma questão de tempo.

          Na última semana, o presidente Biden assinou uma ordem executiva para entrar novamente nos Acordos Climáticos de Paris. Esse foi um gesto principalmente simbólico, já que o mesmo alarmismo empurrado antes do acordo em 2016 ainda está sendo empurrado agora, enquanto nações como a China ainda o ignoram. Agora, o enviado climático do governo Biden, John Kerry, sob ataque por embarcar num jato privado à Islândia para aceitar um prêmio climático, está dizendo aos Estados Unidos e ao mundo que as condições do acordo de Paris são "inadequadas".

          Como a elite climática global empurra às massas a alimentação de insetos e o fique em casa para salvar a Terra, vale a pena colocar a questão: o que será adequado? Com o Fórum Econômico Global em Davos em abril se aproximando, vamos começar a ouvir termos como "Equidade Climática" e "Redefinição Climática" (uma brincadeira com o Great Reset* do FEG) com mais frequência. Provavelmente, também começaremos a ouvir apelos por lockdowns climáticos**. Sei que, agora, isso soa completamente absurdo, mas essas ideias excêntricas não encontram sempre uma maneira de adentrar no mainstream? Quinze Dias para Diminuir a Atividade do Sol!

          A possibilidade de lockdowns climáticos já está sendo ventilada por alguns de nossos maiores pensadores. Eles veem a confluência de crises globais como uma oportunidade. A tempestade perfeita causado pelo COVID-19 e o colapso econômico global resultante oferecem uma chance de realizar o que veem como ação uma ousada e dramática para salvar o planeta. O governo Biden certamente utilizará as consequências do COVID para fazer passar algumas legislações verdes, mas, como antes, não será o suficientes para os progressistas. Tem de haver sempre mais.

          Mariana Mazzucato, escritora e professora de economia inovadora na Universidade de Londres, levantou a perspectiva de lockdowns climáticos na MaketWatch em setembro passado:

          "Sob um 'lockdown climático', governos limitariam o uso de veículos particulares, proibiriam o consumo de carne vermelha e imporiam medidas extremas de economia de energia, enquanto as companhias de combustíveis fósseis teriam de suspender a perfuração. Para evitar tal cenário, deveríamos revisar nossas estruturas econômicas e fazer o capitalismo de maneira diferente."

          A ideia de "fazer o capitalismo de maneira diferente" é a motivação retórica motriz por trás do Great Reset do Fórum Econômico Mundial (outro termo para a implementação do marxismo global).

          Karl Lauterbach, um parlamentar do Partido Social-Democrata alemão, escreveu no Die Wlet em dezembro passado que "precisamos de medidas para lidar com a mudança climática que sejam semelhantes às restrições à liberdade pessoal [impostas] para combater a pandemia." Há quanto tempo até que essa teoria abra caminho nos meios de comunicação e nos discursos políticos aqui?

          Sem dúvida, essa ideia será explicada como simplesmente "seguir a ciência". Os lockdowns que começaram na primavera de 2020 contribuíram para o que os cientistas estão chamando de a maior queda nas emissões de CO2 em anos. A principal razão para isso foi o decréscimo de aproximadamente 40 por cento no transporte de automóveis e aviões. O Fórum Econômico Mundial elogiou esse número numa postagem de blog intitulada "Emissões caíram durante o lockdown. Vamos mantê-la assim."    

          Alarmistas climáticos como Greta Thunberg e John Kerry estarão salivando com a perspectiva de usar os dados de emissões para colocar em prática suas ideias de um futuro livre de metano - e aviões. Como ousa refutar! Se podemos todos ficar em casa por duas semanas (que inevitavelmente se tornariam quatro semanas), vale a pena para salvar o planeta. Qualquer um que questionar tais propostas será rotulado de um negacionista científico e acusado de querer matar seus vizinhos (você sabe, como o que você ouve se não usar máscara para uma caminhada casual em torno do quarteirão).

          Como os governadores e o governo federal imporiam lockdowns climáticos? Simples: declarando que a mudança climática é uma crise imediata de saúde pública e segurança nacional, e usando a mesma autoridade garantida a eles pelos departamentos de saúde pública para implementá-los sob as mesmas diretrizes que fizeram para o COVID-19. Bernie Senders e AOC anunciaram um projeto de lei sugerindo ontem!

          Esse foi sempre o risco com a implementação em massa de lockdowns. Uma vez que seus líderes impõem um sob o pretexto da saúde pública, eles não irão simplesmente colocar de lado seu poder de fazer o mesmo novamente. Não se preocupe, eles estão apenas seguindo a ciência.

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* Não traduzi o termo "Great Reset", que é de conhecimento de todos e possui mais de uma tradução possível.

** Mantive o termo "lockdown", que significa "bloqueio". Lockdown climático é bloqueio climático ou bloqueio do clima.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Câmeras, microfones e juízes

          Muitos devem ter notado o julgamento arrogante com que a imprensa brasileira trata as pessoas neste período de crise do covid-19.

          Quando ligamos a televisão vemos o noticiário aparece recheado de informações sobre medidas preventivas contra o vírus, números de mortos e infectados e, claro, denúncias de "mau" comportamento. 

          E quais são os maus comportamentos? Principalmente aglomeração, seguido pelo não uso de máscara, festas "clandestinas" e outras displicências proibidas pelas autoridades locais e chanceladas pelos mesmos denunciantes em frente às câmeras. 

          Reparem no termo geralmente usado para se referir ao "mau" comportamento: "desrespeito", "falta de respeito" e equivalentes. Sempre num tom de censura, feita por aqueles que, munidos de meios técnicos para chegar às casas de milhões de pessoas, apontam com dedo em riste, do tribunal de sua arrogância infinita, quão estúpido e imoral é você! que não sabe o que faz para si e para os outros.

          Aqueles que não seguem as regras de decretos impostos à canetada, do dia para a noite, estipulando as coisas mais absurdas como proibir aglomeração de certo número de pessoas ao ar livre (ou mesmo em áreas privadas!), em parques, praças, e mesmo nas ventosas praias; obrigar a usar máscara ao pisar fora de casa, na rua, mesmo estando sozinho; ou impor toque de recolher a partir de determinado horário; estes são os desrespeitosos, os violadores, os que simplesmente não tem empatia com a vida alheia.

          Vamos listar algumas notícias dos porta-vozes da moralidade, das pessoas maravilhosas que escrevem nas redações?

          Bares de Porto Alegre têm noite de aglomerações e desrespeito às novas restrições contra a covid-19.

          Desrespeito às medidas contra a Covid-19 é registrado em cidades por todo o país.

          Covid-19? Feriado lotado com desrespeito e inconsequência em Cabo Frio.

          COVID-19: A demonstração do escárnio de muitos brasileiros com o avanço da pandemia.

          Mais um domingo de desrespeito às normas sanitárias de combate à pandemia.

          E, para encerrar, uma chamada do grupo de imprensa mais humilde do Brasil: Insensatez e arrogância coletiva que nos expõem a riscos.

          Reparem no vídeo da segunda reportagem referida acima, do "Fantástico", a quantidade de vezes em que as pessoas são censuradas com a palavra "desrespeito", o tom de voz das jornalistas no "lamento" pelos comportamentos e a feição de reprovação no rosto da apresentadora.

          O constrangimento e a denúncia moral do comportamento alheio chegou até mesmo à "ciência". Um estudo brasileiro teria mostrado que pessoas que não adotam medidas contra o covid-19 são antissociais, sociopatas. Sociopatas!

          Os casos que citei acima foram colhidos de forma mais ou menos aleatória. A quantidade de notícias denunciantes contra todo o tipo de pessoa comum é infindável. 

          Nada mais arrogante no Brasil do que os iluminados, as pessoas maravilhosas de mente aberta munidas de um microfone com uma câmera à frente. Eles são os juízes; você, um criminoso, um potencial assassino disposto a morrer e matar os outros por um simples prazer no final de semana.

           

domingo, 22 de novembro de 2020

Os engenheiros sociais do covid-19

 

          As medidas de contenção da propagação da covid-19 têm algo de no mínimo curioso, pois partindo da perspectiva de que o isolamento social seria uma medida eficaz para essa contenção, prefeitos, governadores, burocratas e jornalistas de plantão apoiaram ações um tanto esquisitas. 

          Por exemplo: em várias cidades do Brasil, como aqui em Porto Alegre, restringiu-se os horários e o número de ônibus em circulação para desestimular as pessoas saírem de casa e aumentar o isolamento social. Mas quem tinha necessariamente de trabalhar, porque não teve seu estabelecimento fechado por decreto e necessitava simplesmente sobreviver, foi obrigado a esperar horas nas paradas de ônibus e se enfiar numa condução lotada. Realizou-se justamente o contrário do que se desejava evitar.

          O mesmo ocorreu no comércio. Na reabertura dos serviços "não essenciais" (eufemismo para quem não depende de negócios "dispensáveis", segundo a cabeça iluminada de governadores, prefeitos e jornalistas), restringiu-se o horário de abertura das lojas para evitar aglomerações. 

          Ora, se as pessoas não devem se aglomerar, então o horário deveria ser estendido, e não restringido. Deveria ser tomada a medida inversa.

          A lógica dos ônibus e das lojas pressupõe que as pessoas tomam decisões com base na limitação de tempo, e não em suas necessidades e vontades pessoais. É exatamente isto a que chamamos de engenharia social, a tentativa de moldar o comportamento da sociedade por medidas administrativas, pressupondo que as decisões pessoais são tomadas em vista do quadro geral da situação.

          Mas não: as pessoas tomam decisões com base em necessidades e desejos imediatos dentro de um quadro de conhecimento limitado. O imediatismo cotidiano é o principal fator de peso nas escolhas.

          A professora e o médico não deixarão de comprar uma camiseta porque a loja de roupas teve horário de funcionamento reduzido por decreto; eles irão quando a loja estiver aberta. Do contrário, não conseguirão o produto. 

          Ou por acaso vocês não se recordam de decisão estúpida da prefeitura de São Paulo em bloquear as principais avenidas da cidade para diminuir a circulação de carros e aumentar o isolamento social? As pessoas saíram de casa a trabalho buscando outras vias e engarrafaram as que estavas livres. A genialidade dos fanáticos pela engenharia social é impressionante.

          Este é o resultado da combinação de burrice com tirania, combinação que define muito bem o perfil dos auto aclamados engenheiros sociais.

          Como a classe política brasileira é estúpida, mas não suicida, a medida inversa foi tomada nas eleições municipais deste ano: estendeu-se o horário de votação para evitar aglomerações dos grupos de risco e supostamente evitar a propagação do covid-19. Medida acertada, mas evidentemente contrária a tudo o que fora feito até então pois, afinal, a extensão do período do votação afetava diretamente a própria classe política.

          O que vimos neste 2020, tanto no Brasil quanto no mundo, foi a expansão formidável do poder político no controle das liberdades civis mais fundamentais. É da natureza do poder político crescer indefinidamente para tudo administrar sendo apenas barrado por pressupostos e valores que quase sempre surgem de instâncias não políticas, como a vida religiosa, familiar e comunitária.

          A engenharia social do momento força o isolamento das pessoas desmontando o tecido social. O indivíduo se vê isolado perante um poder onipresente e todo poderoso, receoso de ser punido ao buscar contato pessoal com aqueles além de seu círculo familiar imediato, medida que coincide (santa coincidência) com a medidas de prevenção do covid-19. 

          Mesmo assim, o vírus continua a se espalhar pelo mundo e, claro, os decretos sobre sua vida pessoal também.

terça-feira, 7 de julho de 2020

O mal cidadão e o novo pecado


          Na postagem sobre a politização do cotidiano, analisei de que forma o poder do Estado de agigantou, substituiu os valores tradicionais e transformou a ordem social espontânea num regramento de censura da conduta alheia, criando uma atmosfera de desconfiança entre as pessoas.

          A análise teve como principal fundamento da obra "O Jardim das Aflições", do filósofo Olavo de Carvalho.

         Mas se as pessoas censuram o comportamento alheio, quais seriam os "erros" do "mal cidadão" a serem censurados?

          No mencionado livro, Olavo de Carvalho traz a resposta, dizendo que o Estado secular, carregado de simbolismos de sua raiz revolucionária:

"...introduz na moral do homem moderno um novo senso de pecado.: na mesma medida em que a função da Providência já não é conduzir o homens à vida eterna, mas satisfazer a seus apetites neste mundo, o pecado não reside mais numa ofensa à dignidade do homem, ou na desobediência a um mandamento divino explícito, e sim no 'desequilíbrio'. 'Desequilíbrio' significa qualquer ato, pensamento ou hábito que possa colocar o indivíduo em desarmonia com uma ordem cósmica supostamente empenhada em garantir o sucesso, a saúde e a riqueza de todos os bons cidadãos. É 'desequilíbrio', por exemplo, cometer atos de violência, mas também é 'desequilíbrio' não escovar os dentes comer comidas gordurosas ou fumar, pelo menos 'em excesso', seja lá o que isto for. E como a ordem cósmica já não constitui apenas a passagem à esfera espiritual, mas vale por si como horizonte terminal da existência, o pecado não é punido com uma penalidade espiritual após o Dia do Juízo, mas aqui mesmo e na forma do fracasso mundano, da doença ou da pobreza." (p. 263-264)

          O desequilíbrio advém de condutas erradas e, como comentei na postagem mencionada, é dever do cidadão denunciá-las. Desta forma, a censura ao comportamento alheio não é apenas consequência do poder simbólico e coercitivo do Estado, mas também resultado do estímulo deliberado por governos e os meios de comunicação para que as pessoas ajam como "bons cidadãos".

          Ser "bom cidadão" é, além de seguir as regras ditadas, denunciar as erradas de um estranho, de seu vizinho, amigo ou mesmo um membro da família.

          O atual situação de diversas censuras públicas de pessoas comuns sobre a ausência de uso de máscara e a aglomeração de pessoas na crise do coronavírus. Como disse, em junho, um guarda municipal de Belo Horizonte, que as pessoas aglomeradas na ruas não tinham "responsabilidade, empatia e respeito em relação às outras pessoas"; ou ainda o grande número de denúncias feitas pelo Disque-Denúncia (nome sugestivo) do Rio de Janeiro pelo mesmo motivo.

         Vocabulário politicamente incorreto, consumo de gordura e açúcar, energia jogada "fora", supostas atitudes de preconceito, afirmação firme de uma única fé. A lista de pecados mundanos é enorme.

          A diferença é que o pecado, sendo originalmente espiritual, pode ser redimido pelo arrependimento do pecador, ao passo que o pecado mundano não apenas não admite arrependimento como pune, no ato, a pessoa pelo constrangimento direto, quando não a multa e a cadeia. E o carrasco pode ser seu vizinho.

          O novo moralismo moderno é um tribunal impiedoso


quinta-feira, 2 de julho de 2020

Autoridade científica e fraude universal


          O sentimento nacional é um elo que une pessoas de diferentes histórias, mas que compartilham principalmente de uma mesma língua e cultura. Max Weber define a nação como uma "espécie particular de comoção" que compartilha de valores comuns e é dirigida por um poder político. A língua é o principal elemento desta unidade, pois permite a troca comum de valores, informações, bens; viabiliza a unidade de cultura restrita a grupo específico de pessoas. Deste espectro bebe o nacionalismo

          O século XX viu no nacionalismo o elemento base para a guerra. A mobilização das massas, inimaginável antes da era moderna na escala como vemos hoje, tornou-se possível pela autoridade política centralizada e o comando burocrático do Estado. O sentimento nacional transformou-se no combustível de um aparato super-poderoso inédito até então.

          Os nacionalismos exacerbados e as ideologias totalitárias fizeram deste aparato o veículo para a manipulação de suas próprias sociedades e a destruição daqueles que imaginavam seu inimigos, como foram o nazi-fascismo na expansão territorial e o imperialismo na conquista de povos "primitivos". Mesmo o comunismo, com seu apelo universal arrebatador, mas carente de uma raiz cultural profunda, aproveitou-se deste sentimento. Na China, Rússia, Camboja ou Cuba, este sistema de poder moldou-se a cada uma das realidades. O dia 9 de maio, por exemplo, marca para os russos vitória na Segunda Guerra Mundial, mas o regime soviético comandado Stálin batizou de Grande Guerra Patriótica.

          Este tipo nacionalismo, capturado e transformado pelo totalitarismo, sempre alegou pretensões "científicas" para seus horrores, fossem eles com bases supostamente raciais, sociais ou nacionais.

          Julien Benda, no clássico "A Traição dos Intelectuais", joga uma luz nesta pretensão científica formulada por pensadores que, abandonando seus valores de justiça, verdade e razão, viram na mobilização das massas por meio do sentimento nacional uma forma de realização daquilo que nomeou de paixões.

          Importante atentar para a passagem onde Benda aponta as paixões políticas que os intelectuais de sua época dotaram de fundamentos "científicos", estabelecendo fórmulas definidas do interesse e do orgulho nacional.

"Acrescentemos que nosso tempo introduziu na teorização das paixões políticas duas novidades que não deixam de intensificá-las singularmente. A primeira é que hoje cada uma pretende que seu movimento esteja de acordo com o 'sentido da evolução', com o 'desenvolvimento profundo da história'; (...) essa não é senão a antiga vontade de ter o destino a seu favor, disposto porém de forma científica. E isto nos conduz à segunda novidade: a pretensão que têm hoje todas as ideologias políticas de estarem fundadas sobre a ciência, de serem o resultado da 'estrita observação dos fatos'."

          Ressalvo aqui as passagens que dão ao sentimento nacional a autoridade suprema sobre a humanidade: a evolução de acordo com o "desenvolvimento profundo da história" com base na "estrita observação dos fatos". Com esta autoridade auto-evidente, quem ousaria questioná-la?

          Na obra "O Jardim das Aflições", Olavo de Carvalho observa neste movimento o fenômeno do historicismo, que consiste em dirigir a vida social para um futuro ideal localizado num período indeterminado. O Estado moderno é o instrumento de realização deste ideais, aqui encarnado pelo nacionalismo. É o que o autor chamou de "deuses do tempo", a submissão da humanidade ao poder estatal capaz de realizar a fórmula da sociedade ideal.

          A suposta "autoridade científica" atribuída ao nacionalismo moderno (e Benda afirma que as paixões políticas são um fenômeno característico da era moderna) é evocada não apenas ao sentimento nacional, mas às questões globais. O processo de transformação do Estado-nacional moderno num Estado mundial é o que Olavo vai identificar como globalismo, a apoteose a realização histórica da humanidade.

          Desde o início da epidemia do coronavírus, a todo o instante somos bombardeados pela televisão a respeito das condutas corretas de como lidar com a doença e temos nossas liberdades mais básicas, como a de ir e vir, restringidas pelas autoridades públicas.

          Mas qual é a justificativa utilizada para afirmar que estas imposições e normas de conduta são de fato necessárias e corretas para lidar com o vírus? De que estas são orientações dadas por especialistas. E esta afirmativa é válida em escala global, possuem a mesma validade, em linhas gerais, para todas as pessoas em todo o mundo.

          Acima da autoridade formal dos governos e da fé pública nos jornalistas está a alegada "autoridade científica" daqueles que conhecem a doença.

          Dada a amplitude, complexidade e desconhecimento do tema, como comentei em outra postagem, não surpreende que os mesmos organismos que alegam a autoridade da ciência são aqueles que entram em contradições consigo mesmos e solapam o real conhecimento científico.

          Os intelectuais de Benda são hoje tanto os especialistas representantes da "autoridade científica" como os jornalistas formadores de opinião, sendo estes últimos não os porta-vozes das nações, mas da humanidade inteira. É o apelo não à comunidade unida por um mesmo sentimento, como dizia Weber, mas à fraternidade universal, a união da humanidade inteira sob a mesma bandeira, o mesmo destino, a mesma mobilização, seja em nome da saúde ou de outra "causa".

          Se no século XX e ainda no XXI, o sentimento nacional é um veículo eficaz de mobilização para a guerra, como alerta Benda, a fraternidade universal baseada na "autoridade científica" não pode ser outra coisa senão uma fraude universal, pois carece de respaldo popular e elementos reais de unidade, e que resultará apenas em medo e caos na mesma proporção.

terça-feira, 2 de junho de 2020

O símbolo de uma época

        

          O rosto é a característica física mais peculiar de uma pessoa. É um resumo de sua identidade e singularidade, dado que nenhum rosto é igual a outro. E caso seja igual, como é o rosto do gêmeo em relação ao seu irmão, carrega experiências distintas que se revelam no mover dos traços que delineiam uma história única.

          Os decretos anacrônicos e o uso compulsório da máscara apagam nossa característica mais elementar. Cria-se uma interface entre a pessoa, antropologicamente sufocada pela membrana que, dizem, protege de doenças, e a realidade à volta, que perde sua presença essencialmente humana e torna-se um jardim de flores sem cor ou árvores sem folhas.

          Razão pela qual ficamos despidos de nossa identidade mais elementar, a máscara massifica a todos numa espécie de distopia em que a pessoa, com sua história e vida interior expressa nas feições da face, torna-se membro da massa, um homem-massa no sentido literal do termo, mera estatística na contabilidade demográfica e sanitária.

          Mas a massificação da pessoa não é apenas estética com suas consequências advinda do universo simbólico que nos comunica toda uma nova realidade opressiva. Ela se ergue como sinal de seu último objetivo.

          Alegadamente, a máscara deveria nos proteger de doenças, fato questionado pela organização apresentada como modelo de "ciência", a Organização Mundial da Saúde, em abril deste ano.

          Alegadamente, ela é para nosso bem, como bem pretendem as autoridades "democráticas", segundo os "porta-vozes" da "ciência" fabricada nas redações dos jornais, que afirmam tal sentença com base em "evidências" coletadas em artigos científicos publicados em última hora e nos acontecimentos em escala planetária num espaço de semanas.

          Seu objetivo maior, mas não declarado, é fechar a fonte da palavra, a capacidade de criação do homem que está na sua liberdade de expressão. E falo aqui da expressão no sentido mais rudimentar do termo, porque um simples "ah!" é marca de quem o diz, o primeiro passo para fora do padrão "cientificamente" pré-estabelecido

          Se a palavra é criadora, por qual razão amputar esta liberdade? No mundo em que "democratas" se revelam verdadeiros autocratas e a ciência é apresentada como autoridade por meio de falastrões frente às câmeras, a nova epidemia foi o elemento perfeito para,  por meio dos meios democráticos de ação, finalmente "melhorar" o mundo.

          A soberba demoníaca que contaminou a sociedade e erigiu o Estado e todo o aparato institucional, seja ele público ou privado, com objetivo de melhorar o mundo se apresenta na síntese de uma tecnocracia cientificista, ou seja, pretensamente científica, legitimada através dos meios de comunicação. Uma aliança entre políticos, cientistas e formadores de opinião em nome do mundo melhor.

          Na cosmovisão mecanicista que concebe o mundo como uma engrenagem de peças e máquinas não há espaço para erro no grande e novo plano de engenharia social. Não cabe, entre drones de patrulha, rastreamento por celular, monitoramento de distanciamento, quarentena forçada, paralisia geral, ordens policiais, notícias "verdadeiras", repetição massiva de slogans midiáticos e toda a sorte de medida draconiana "científica", a imprevisibilidade da opinião, da ação, do gesto genuinamente humano, imprevisível, incalculável e, portanto, incontrolável.

          É urgentemente necessário cobrir nossa humanidade para que ninguém a veja.  

terça-feira, 19 de maio de 2020

Não tenhais medo!


          O pequeno Karol Wojtyla nasceu em 18 de maio de 1920, em Wadowice, num período em que a Polônia recém se tornava independente depois de quase dois séculos de domínio do Império Russo e da Prússia e um ano e meio após o fim da Primeira Guerra Mundial.

          Aos dezoito anos de idade, viu seu país ser invadido por tropas nazistas e comunistas, mas sobreviveu à guerra. 

          Foi ordenado sacerdote em 1º de novembro de 1946, com a Polônia já sob governo comunista, que monitorava, interferia e buscava controlar as atividades da Igreja Católica, assediando religiosos e prendendo opositores. Ainda assim, foi ordenado bispo de Cracóvia em 28 de setembro de 1958. Ele começava a viver a essência da declaração que seria seu modo de conduta como católico:

          Não tenhais medo!

          Durante suas homilias, reforçava a consciências dos fiéis frente às imposições e repressões do Estado, mas nunca de forma a desafiar abertamente as autoridades públicas. e nunca foi pego em qualquer ilegalidade que pudesse lhe custar a liberdade.

          Não tenhais medo!

          Participou do Concílio Vaticano II, onde conseguiu fazer valer em seus documentos uma condenação do ateísmo em meio à pressão de religiosos católicos que vivam sob o domínio comunista na Europa Oriental, de cardeais católicos coniventes ou com medo, de observadores ortodoxos russos e do governo soviético, que tentaram a todo o custo impedir qualquer condenação pública ao comunismo.

          Não tenhais medo!

          Quando foi eleito Papa João Paulo II, em 16 de outubro de 1978, pronunciou seu bordão de fé para a multidão na Praça de São Pedro:

          Não tenhais medo!

          Em 1979, visitou sua terra natal, a Polônia, onde reuniu duas milhões de pessoas em Varsóvia, evento a KGB considerou como sendo o início do fim do bloco comunista.

          Não tenhais medo!

          Sofreu um atentado a tiros na Praça de São Pedro, em 13 de maio de 1981, e atribuiu à Nossa Senhora de Fátima sua sobrevivência. Mais tarde foi à prisão se encontrar com Ali Agca, seu assassino, dando-lhe o perdão pelo seu crime.
  
          Não tenhais medo!

          Em visita à Nicarágua, em fevereiro de 1983, condenou de forma aberta e dura o envolvimento da Igreja Católica com o regime socialista frente à uma multidão de apoiadores sandinistas.

          Não tenhais medo!

          Sem receios de críticas, condenou a Teologia da Libertação e impôs silêncio, para que não falassem em nome da Igreja, aos porta-vozes desta corrente, contendo, assim, a propagação de uma heresia que transformava o Evangelho em ideologia política.

          Não tenhais medos!

           Em junho 2001, visitou a Ucrânia em meio a um esquema de segurança com trinta mil policiais e aos protestos de parte do clero ortodoxo e de nacionalistas que consideravam a presença do Papa um ato de proselitismo e uma violação do território canônico da Igreja Ortodoxa Russa.

          Não tenhais medo! 

          Defendeu abertamente a vida desde a concepção, o celibato dos sacerdotes e a não ordenação das mulheres em referência à escolha de Jesus por doze Apóstolos homens numa época de crescente relativismo e ativismo político.

          Não tenhais medo!

           Coerente com seu ensinamento, enfrentou a chegada da morte de forma natural até o fim, junto com a multidão que rezava por ele na Praça de São Pedro.

          Não tenhais medo!

           Este é o recado de São João Paulo II, canonizado em 27 de abril de 2014 pelo Papa Francisco. Nesta época de medo, decretos e imposições que mantém as portas das igrejas fechadas para o público, ficam as palavras e o exemplo desta grande personalidade do último século, deste grande santo que desafiou a tudo e a todos em nome do Envangelho, da Pessoa de Jesus, que não se curvou às imposições de regimes totalitários, aos assassinos, às críticas e às ondas políticas e culturais que buscavam atacar, denegrir e esvaziar a Igreja Católica.

          Sua vida se apresenta como um pedido claro e direto aos sacerdotes, bispos e o Papa sobre o que devem fazer com as igrejas para que os sacramentos, o próprio Cristo vivo, cheguem aos fiéis.

          E não é coincidência que as igrejas foram reabertas na Itália exatamente no mesmo dia em que se comemora os cem anos de seu nascimento.

          Não estamos sós. Existem alguém que nos acompanha e intercede junto a Deus por todo o mundo. O recado dele é claro:

          NÃO TENHAIS MEDO!

segunda-feira, 27 de abril de 2020

O "mundo pós-pandemia" e a chance que nos foi dada


          Na medida em que governos e pessoas em geral começam a dar os primeiros passos para o retorno gradual ao cotidiano, os famosos especialistas e intelectuais começam a aparecer na imprensa para tentar responder como será o "mundo pós-pandemia".

          A pergunta crucial é: sairemos melhores desta crise? Minha resposta é simples: não sei. Mas a oportunidade foi dada.          

          Quando o arcebispo de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler, anunciou, em vinte de março, que as missas públicas na Arquidiocese deveriam ser suspensas para evitar a contaminação da população pelo coronavírus, sua Nota Oficial dizia que a "pandemia não foi querida por Deus, mas por Ele permitida".

          Apesar de discordar da atitude do arcebispo (questão que não vem ao caso discutir aqui), desde então esta frase me acompanhou todos os dias. Se Deus permitiu isto, por quê? Ou, dizendo melhor: se Deus permitiu isto, para quê?

          Esta pergunta é a mais correta, porque a razão das coisas não está em questionar seu sentido, mas em sua finalidade real possível. Retomo aqui a máxima de Viktor Frankl que já citei tantas vezes: não devemos nos perguntar o sentido da vida, e sim que sentido nós damos a ela.

          Se a epidemia matou milhares de pessoas e parou praticamente todo o mundo, há algo a aprender com isso, e este aprendizado está na resposta que temos de dar ao novo cotidiano que se impôs ou que escolhemos impor a nós mesmos.

          Ademais, lembremos também da quantidade de crimes, trapaças, conflitos, problemas, pecados e toda a sorte de desgraças que foram temporariamente evitados com a paralisia do mundo. Não seria melhor retornarmos à normalidade sem estes erros passados? 

          Portanto, sobre sermos pessoas melhores, a pergunta que fica é: o que eu devo fazer para sair desta crise melhor do que entrei? Por isto não tenho resposta para a pergunta, talvez nem para mim mesmo. 

          Menos ainda sobre os desdobramentos políticos, econômicos, sociais e geopolíticos mundo afora. Haverá, sim, respostas das autoridades em todos estes campos, e como todo o poder político esta resposta também dependerá de decisões sobre como responder a nova realidade. Ao contrário do que parece, as autoridades públicas não são entidades com vidas próprias, e sim pessoas com liberdade de decisão. 

          A diferença começa em casa, na casa interior. Se sairemos melhor desta epidemia será porque respondemos melhor ao desafio que se impôs desde fora. E os responsáveis por esta resposta serão unicamente nós mesmos.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

O trágico mundo da falsa segurança


          Esta passagem de Chesterton escrita em 1931 seria irônica se não fosse trágica.
          O bom-humor do nosso admirado escritor era capaz de apresentar verdades como esta de forma leve e, ao mesmo tempo, causar o impacto necessário para abrir nossos olhos.
          Quase 90 anos depois, vivemos exatamente este alerta devido a uma epidemia e a atmosfera de medo que dela emergiu.
          A crise atual mostra que estamos sob influência não apenas de forças naturais desconhecidas, mas também de forças políticas e econômicas que não temos controle e, pior, sob influência de ideias que sequer conhecemos.
          Homens de negócios, grandes corporações, empresas de comunicação, todos eles moldam gostos, impõem e alteram comportamentos, oferecem e induzem a sociedade a um estilo de vida administrado e artificial.
          Estivéssemos dentro de uma vida comunitária e teríamos maior controle sobre nossos destinos e estaríamos mais imune às crises, que hoje alcançam proporções globais.
          A era do "progresso" e da "democracia" prometeu liberdade e segurança, mas cada vez mais percebemos justamente o contrário: estamos perdendo nossa capacidade de decisão e cada vez mais expostos às tempestades que emergem e desaparecem sem pedir licença.

quarta-feira, 25 de março de 2020

A crise do coronavírus e os "erros da Rússia"


          Esta pandemia e a confusão subsequente é mais um dos tantos efeitos dos chamados "erros da Rússia" profetizados em Fátima em 1917. Nossa Senhora afirmou que para alcançar a paz mundial era necessária a devoção ao seu Imaculado Coração e a consagração da Rússia. Do contrário, a Rússia espalharia seus erros pelo mundo.  Isto é a prova de que seus pedidos nas aparições não foram cumpridos, ao menos não totalmente.

          Ainda.

          Segundo O Livro Negro do Comunismo, em 1922, a NKVD (futura KGB) plantou a revolução no sul da China, na região de Cantão, fornecendo armas e expertise para a ação revolucionária. Os comunistas tomaram o poder em 1949 com apoio soviético.

          Não cabe aqui repetir o que muitos já sabem, que o governo de Pequim provocou a morte de pelo menos 60 milhões de pessoas, sendo a maioria por efeito e repressão do Grande Salto para Frente, que ceifou 40 milhões de vidas na maior fome de todos os tempos.

          Na atual crise relacionada ao coronavírus, há fontes que mostram que a China não só ocultou como destruiu provas de que estávamos frente a uma epidemia, além de perseguir e silenciar os médicos que tentaram avisar as pessoas. Só quando a situação começou a sair do controle, o PC Chinês comunicou a gravidade da situação.

          Na metade de março, a União Europeia denunciou que organismos de propaganda da Rússia espalharam notícias falsas e contraditórias sobre o coronavírus. Isto teria gerado aumento da confusão e maior dificuldade no combate à doença. O objetivo desta investida é afetar o Ocidente e enfraquecer seu poder político, econômico e militar, principal objetivo da política externa russa hoje. EUA, União Europeia e OTAN são seus maiores adversários.

          Não é preciso dizer que o que chineses e russos fizeram na atual crise foi uma monstruosidade. E não é de graça que os mais afetados pela pandemia e o medo, paralisia e confusão daí decorrentes são justamente os adversários geopolíticos destes dois países. A China é uma ditadura comunista, a Rússia é herdeira direta do poder soviético, e ambos são parceiros estratégicos para solapar o poder do Ocidente.

          Infelizmente, os "erros da Rússia" profetizados em Fátima vão muito além disso e têm uma longa história que é muito difícil de definir e apresentar. Abrangem, além das guerras, revoluções e genocídios promovidos diretamente pela URSS no século XX, mudanças políticas, sociais e culturais nas últimas gerações promovidas pela penetração do movimento comunista no campo da cultura. O movimento possuía como objetivo destruir as bases civilizacionais do Ocidente, como a religião, a família e os valores de convivência, e promover toda a sorte de propaganda, relativismo, revoltas e crimes.

          O mundo atual foi totalmente transformado por um movimento revolucionário de larga escala que influenciou todos os campos da vida pública e mesmo pessoal. A atual crise do coronavírus é apenas um aspecto desta realidade.

          Hoje vivemos dentro do "erros da Rússia". Mas isto já é outro.         

domingo, 22 de março de 2020

Um golpe no delírio de onipotência


          A era moderna colocou na cabeça das pessoas que o homem é onipotente sobre a natureza, incluso aí a natureza humana. 

          Esta mentalidade se reflete na administração da sociedade e, portanto, no poder político. Os modelos de Estado fascista e comunista foram tentativas de estabelecer um controle total sobre o mundo, mas, além de matarem milhões de pessoas, falharam de forma miserável.

          Se engana, porém, quem pensa que no regime democrático ficamos mais humildes. Este delírio de onipotência vive forte nas democracias. Acreditamos que os governos, através do estabelecimento de leis, normas e garantias das liberdades civis, podem nos fornecer ou permitir uma vida progressivamente melhor. O delírio é ainda pior com a ostensiva agenda progressista tocada ao toque de caixa no mundo inteiro que estabelece todo o tipo de normas para os mais sutis comportamentos no que se refere ao racismo, gênero, discriminação, preconceitos, minorias, etc.

          Em suma, acreditamos que o Estado democrático e liberal pode nos garantir a paz e a felicidade.

          Mas, de repente, "do nada", aparece um inimigo microscópico que paralisa tudo, põe em cheque nossa forma de agir e pensa e tira de cena todos os nossos ideais de vida. Derruba por terra todas as previsões e planos dos governos e solapa todas as expectativas futuras, de casamentos ao aumento do PIB. Agora, olhamos para o futuro com incerteza, porque nenhum poder estabelecido é capaz de garantir, não nossas liberdades civis e felicidade, mas nossas vidas!

          O controle total do mundo é impossível pelo simples fato de não possuirmos o conhecimento total. Se tivéssemos o conhecimento total conheceríamos também os meios de controle; em suma, seríamos Deus. Mas só Deus tem estas características, que são parte de Sua definição.

          Não é de graça que estamos sendo forçados a parar. Isto é um chamado para a vida interior, não no sentido de que devemos ficar fechados em nós, mas para descobrir, no silêncio, que Deus, o mesmo que governa o mundo e está acima dos poderes estabelecidos, é o fundamento de nossa paz e segurança.

          Estamos sendo chamados à humildade. O mundo não está aos nossos pés. Está aos pés Dele.