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terça-feira, 9 de novembro de 2021

Dia 8 de novembro de 2021

          Após anos de participação em um grupo de oração aqui de Porto Alegre, comecei a notar que certas intuições em momentos de concentração eram, na verdade, indicativos de coisas que estavam acontecendo. 

          Mas é preciso não confundir as coisas. Tais intuições dependem de duas condições: oração e silêncio interior. Nada de dirigismos mentais, pois o que eu "vejo" é, na verdade, meus próprios pensamentos e não visões místicas que podem ocorrer em algumas pessoas, mas que não são tão banais quanto a intuição que brota através da mente.

          Minha mente fica como que suspensa com a devida paz e concentração, e surgem pensamentos que, se bem notados, fluem livremente ao sabor do momento meditativo e espiritual que pouco ou nada tem a ver com alguma intenção pessoal. Em outras palavras, os pensamentos surgem e se desenvolvem em mim sem que eu os dirija deliberadamente confirmando, momentos depois, que aquilo que vinha à mente dizia respeito a algo ou alguém próximo.

          E mais uma vez notei um insistente apelo da Mãe de Deus, dessa vez ao mundo. Era noite de segunda-feira, momento tradicional de um dos encontros do grupo, e as canções à Nossa Senhora, embaladas ao vivo pelo coordenador do encontro, também ele um devoto mariano e cantor profissional, enchiam a nave da igreja. Como que transportados para outra dimensão, o som do teclado e a voz ungida faziam o Céu descer, e sentíamos como que envolvidos por uma nova atmosfera, invisível aos olhos mas perceptível aos órgãos da alma.

          Apesar do momento ser para lembrar todas as pessoas próximas que necessitavam do auxílio de Nossa Senhora, pensei também, cá comigo, na situação do mundo, e me concentrei deliberadamente na mensagem de Fátima para a humanidade, mensagem que há tempo me atraía, mas que só recentemente resolvi conhecer de forma verdadeira. 

          Recordei-me do Anjo com a espada de fogo, que os três pastorinhos haviam visto na terceira parte da mensagem, descrita pela irmã Lúcia em suas memórias. Nessa passagem, o Anjo aponta sua espada com a mão esquerda em direção à Terra para incendiá-la, mas seu fogo é apagado pela luz que emana da mão direita de Nossa Senhora. Com a outra mão, o Anjo aponta para a Terra e diz com voz forte "Penitência! Penitência! Penitência!" Enquanto Deus, pela boca do Anjo, pede urgentemente que o homem se redima de seus pecados praticando sacrifícios, Nossa Senhora segura a ira divina com sua intercessão, dando algum tempo à humanidade para sua remissão.

          Por algum motivo, essa imagem em pensamento buscava tomar vida própria. Não havia mais Nossa Senhora, e o Anjo ficou apenas em minha lembrança. Notava que o fogo, agora tomando proporções mastodônticas, descia sobre a Terra não como labaredas, mas imensas bolas de fogo, tão grandes que pareciam quase não se mover em relação às enormes dimensões de terra que engolia. Cidades inteiras eram cobertas pelo fogo, que calcinava absolutamente tudo ao seu alcance.

          Eu tentava imaginar que locais poderiam ser esses, mas as especulações eram puramente artificiais. A importância não estava nos locais em si, e sim no fato de que Nossa Senhora já não poderia mais intervir para impedir o sofrimento que viria ao mundo por seus vastos e contínuos pecados. Passaram-se mais de cem anos, e a humanidade, após um início aparentemente promissor, deu as costas à mensagem de Fátima, e agora parece não haver mais tempo para evitar as catástrofes vindouras, a tão necessária purificação do mundo pela via dolorosa. E no meio da dor, haverá guerra.

          Escrevo isso porque é pelo menos a quarta vez que percebo em mim um forte apelo de Nossa Senhora para que rezemos, urgentemente, pela paz no mundo. Particularmente não creio ser mais possível evitar o fogo da espada do Anjo, cujo contexto se dá em meio a uma cidade parcialmente destruída, mas ao menos podemos evitar o pior ou amenizar as dores do parto que serão necessárias para o surgimento de uma nova humanidade, o triunfo do Imaculado Coração de Maria. 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

A unidade dos cristãos na mensagem de Fátima

Há um plano divino da unidade cristã na mensagem de Fátima que uniria católicos, ortodoxos e protestantes numa só Igreja como no primeiro milênio.

Com relação ao cristão ortodoxos, sua unidade com a Igreja Católica é evidente quando Nossa Senhora pede a consagração da Rússia, especificada à beata Irmã Lúcia em 1929, pois este ato traria sua conversão e consequente união com o catolicismo.

Importante notar que os insistem na consagração da Rússia não mencionam a consequência de sua conversão. E como os ortodoxos russos compreendem mais ou menos metade dos ortodoxos do mundo inteiro (algo em torno de 220 milhões de pessoas) e sua igreja é a mais influente dos cristãos orientais, podemos considerar que sua conversão traria um efeito além das fronteiras canônicas da Rússia.
Mas, e os protestantes? Como a mensagem aponta para a unidade destes com a Igreja Católica? A reposta pode estar na comunhão reparadora dos cinco sábados revelada à Irmã Lúcia em 1925.

A existência de cinco sábados, e não quatro ou seis, possui uma motivo. Lúcia foi questionada por seu confessor do por que deste número e obteve a resposta do próprio Jesus, na noite de 29 para 30 de maio de 1930, enquanto estava em oração.

Cada um dos sábados corresponde a uma ofensa específica contra Nossa Senhora; são ofensas e blasfêmias cometidas contra seu Imaculado Coração, pelo qual o próprio Filho veio esclarecer. São elas:

1) blasfêmias contra a Imaculada Conceição;
2) blasfêmias contra sua virgindade;
3) blasfêmias contra sua Maternidade Divina, recusando, ao mesmo tempo, a recebê-La como Mãe dos homens;
4) a infusão, publicamente, nos corações das crianças a indiferença, o desprezo e até o ódio para com a Imaculada Mãe;
5) os ultrajes cometidos diretamente nas suas sagradas imagens.

Nota-se que as três primeiras ofensas são cometidas pelos protestantes, pois estão relacionadas às questões doutrinais e teológicas abertamente contrárias à Igreja Católica adotadas por suas igrejas. As duas últimas ofensas são consequência das três primeiras, pois a rejeição à pessoa de Nossa Senhora e os atentados às suas imagens não seriam possíveis sem os três primeiros pontos.
Obviamente, não cabe acusar todos os protestantes de tais ofensas, e sim destacar que há uma cultura protestante que nega a dignidade de Maria enquanto Nossa Senhora, e que esta cultura brotou da Reforma Protestante de 1517, a maior fratura da Igreja desde o Grande Cisma de 1054. Ademais, como vemos em situação crescente, tais ofensas são cometidas abertamente também por movimentos de extrema-esquerda e extremistas islâmicos.

A comunhão reparadora afeta diretamente os mais graves pontos de discórdia entre católicos e protestantes. Nada do que ocorre no mundo espiritual vem sem consequências práticas, portanto, este ato de reparação significa uma libertação espiritual das consequências das ofensas cometidas e a eliminação do obstáculo de discórdia originado na Reforma.

O mesmo efeito podemos esperar da consagração da Rússia, consagração, portanto, da maior parte do povo ortodoxo, sanando as discórdias teológicas, doutrinas e históricas que resultaram no Cisma de 1054, que separou em definitivo, depois de séculos de tensão, as porções ocidental e oriental da cristandade.

Assim, a consagração da Rússia e a comunhão reparadora, pilares da mensagem de Fátima, prometem uma libertação espiritual vasta e muito profunda de grande parte da humanidade e tornam possíveis a cicatrização das chagas abertas pelos dois grandes cismas, duas grandes ofensas a Deus e a Nossa Senhora que perpassam séculos e duram até os dias de hoje.

Não é de graça que estes atos de consagração e reparação prometem a salvação de muitas almas e a paz mundial, como fica claro na mensagem de Fátima de 13 de julho de 1917.

Cumprido esses dois pilares pedidos por Nossa Senhora, a unidade cristã sob a guarda da Igreja Católica poderá muito bem ser plena.

sábado, 5 de setembro de 2020

A centralidade do primeiro sábado do mês na mensagem de Fátima

 

          Primeiro sábado do mês, dia de reparação ao Imaculado Coração de Maria, conforme Nossa Senhora instruiu à Irmã Lucia em 10 de dezembro de 1925.

          A chamada comunhão reparadora faz parte da revelação de Fátima, e Nossa Senhora prometeu revelá-la na aparição de 13 de julho de 1917.

          Esta devoção consiste na oração do Rosário, confissão, comunhão em reparação aos pecados da humanidade contra o Imaculado Coração de Maria e 15 minutos de meditação nos mistérios do Rosário.

          Ela volta-se à nossa salvação, à salvação de muitas almas que estão se perdendo no fogo eterno e à paz no mundo inteiro.

          É o centro da devoção à Nossa Senhora de Fátima, que prometeu: "Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará."

          É muito comum vermos em alguns círculos católicos o insistente pedido de consagração da Rússia como meio de trazer paz ao mundo.

          O vínculo entre os dois pontos é direto e explícito na mensagem de Fátima, mas, seja por ignorância, ativismo ou paixões políticas, esquecem que a paz mundial também está diretamente vinculada à comunhão reparadora, como Nossa Senhora mostra na mensagem de 13 de julho:

"Para impedir [a guerra], virei pedir a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados."

          Os pedidos de comunhão reparadora e de consagração da Rússia estão vinculados a um mesmo plano de misericórdia de Deus para com a humanidade. Ambos são inseparáveis. Em outras palavras: não haverá paz no mundo sem oração e conversão pessoal.

          O Papa junto com os bispos do mundo todo podem consagrar a Rússia muitas vezes, mas isto é ato da Santa Sé, e hoje é ponto de discordância sobre a validade de realização na consagração de 1984.

          Mas a reparação ao Imaculado Coração de Maria, centro da mensagem de Fátima, é nossa parte.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

A unidade da segunda parte da mensagem de Fátima (13 de julho)


Hoje, 13 de julho, faz 103 anos da aparição de Nossa Senhora de Fátima onde Ela afirmou que viria pedir a comunhão reparadora dos sábados e a consagração da Rússia, pedidos que realizou em 1925 e 1929, respectivamente. Destes dois atos, viriam a salvação das almas e a paz no mundo.

Estas mensagem mostram que não adianta pedir apenas a consagração da Rússia (ou seus efeitos, caso já tenha sido realizada por São João Paulo II em 1984 como muitos acreditam) sem a comunhão reparadora, o que inclui a oração completa do Rosário.

Se as pessoas não rezam e não há conversão, do que adianta apenas um ato solene da Santa Sé? Tanto é que Nossa Senhora, ao pedir a consagração da Rússia à irmã Lúcia em 1929 (representação acima), mostrou a ela seu Imaculado Coração, o mesmo ao qual Ela pediu reparação quatro anos antes ao especificar a comunhão reparadora. E no mesmo evento de 1929, apresentou à irmã o mistério da Santíssima Trindade e sua relação com a eucaristia como ato de graça e misericórdia vinculados ao seu Coração. Afinal, Maria sacrificou-se com seu Filho ao vê-Lo, em silêncio, Seu profundo sofrimento na cruz.

Resumindo: a comunhão reparadora é um ato de desagravo à Nossa Senhora e a Jesus cujo ato seria chancelado pela consagração da Rússia, sua conversão e a consequente paz no mundo, tornando visível aos olhos da humanidade o poder do Imaculado Coração. O mundo precisa ver a ação de Nossa Senhora. Este é o triunfo prometido do Imaculado Coração.

Infelizmente, parece que nada disto foi feito, e hoje pagamos as consequências.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

O fechamento de Fátima na era da apostasia


          A surpreendente paralisação de grande parte do mundo em meio à epidemia do coronavírus se torna mais impressionante quando vemos que aqueles que jamais deveriam abdicar de sua missão em aliviar o sofrimento das pessoas acabam por se submeter às ordens do mundo.

          Os próprios bispos e sacerdotes têm fechado igrejas para o público sob a justificativa de evitar aglomerações e a maior disseminação da epidemia. Evitam, assim, sua missão espiritual.

          Ocorre que jamais na História igrejas fecharam voluntariamente; que seu fechamento se deu por perseguição ostensiva de diversos grupos como jacobinos, comunistas, nazistas, laicistas republicanos e muçulmanos. Tudo regado a muito sangue.

          Desta vez, o fechamento se dá com "democratas" sob os auspícios do Estado liberal e o consentimento assustador da hierarquia católica. Tudo muito calmo, tranquilo, sem sangue algum, enganadoramente pacífico.

          Desde as aparições de Nossa Senhora, em 1917, esta é a primeira vez na história que o Santuário de Fátima é fechado para o público. 

          Apesar de Portugal estar em quarentena desde março, foi decisão do reitor do Santurário, Padre Cabecinhas, e do bispo de Leiria-Fátima, Antônio Marto, a decisão de fechar o local para o público. Ademais, 3.500 policiais foram colocados no local e nos pontos de peregrinação, onde se manifestaram Nossa Senhora e os anjos aos três pastorinhos, para impedir que houvesse entrada e aglomeração de pessoas, em particular nos dias 12 e 13 de maio. Não basta não abrir o Santuário, é necessário que haja também a polícia!

          Estas medidas provocaram, com razão, a reação de muitos católicos na internet, ao exemplo de uma crítica do historiador católico Roberto de Mattei.

          O fechamento do Santuário é um símbolo muito representativo de nossa época e, entendo, um sinal claro das profecias de Nossa Senhora. 

          Há mais de 150 anos Nossa Senhora vem alertando da apostasia geral no mundo, a começar pela própria hierarquia da Igreja Católica. Foi assim em La Salette (1846), Rosa Mística  (1947 e 1966) e Garabandal (1961-1965).

          Nossa Senhora foi muito clara na sua intenção ao se manifestar aos pastorinhos de Fátima. Na verdade, Ela veio na intenção de Nosso Senhor: "Jesus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração", disse Ela na aparição de 13 de junho. 

           E mesmo que o homem não cumpra com seus pedidos, depois de muito sofrimento, Ela prometeu, na aparição de 13 de julho, que "No fim, Meu Imaculado Coração triunfará".

          Ela pediu a comunhão reparadora dos cinco primeiros sábados, que consiste, suscintamente, na oração do Santo Rosário mais confissão e comunhão (missa) com o objetivo de reparar o Imaculado Coração ultrajado pelos pecados do homem.

          Ela pediu a consagração da Rússia, cujo ato evitaria o espalhamento de seus erros, causaria sua conversão e a consequente paz no mundo. 

          Ela prometeu esta paz ao mundo se esta devoção e esta consagração fossem ambas realizadas.

          Os pecados do homem são a causa dos conflitos da humanidade, bem como da condenação das almas ao inferno. Também são consequência do afastamento do homem de Deus, de um mundo onde a Santa Igreja se vê abandonada, em crise e, finalmente, perseguida, como mostrou a visão do "terceiro segredo" aos pastorinhos, onde um bispo vestido de branco atravessava uma cidade destruída e, aos pés de uma cruz, era assassinado por soldados junto com bispos, padres, religiosos, religiosas e todo o tipo de gente comum.

          Fátima olha para a humanidade e alerta para que acordemos da apostasia que levará o mundo a um conflito e um caos ainda maior do que os já presenciados e culminará na perseguição aberta à Igreja. 

          O Santo Rosário e a reparação ao Imaculado Coração são o centro de Fátima, a "fórmula" para evitar o caos que se avizinha. 

          Quando os próprios bispos de curvam às exigências do mundo, é porque a fé não foi forte o suficiente para manter os braços da Igreja abertos para receber e testemunhar, em meio à ameaça da doença e do medo, a ação de Deus no mundo, na vida, na história, no dia-a-dia como atestam tantos relatos de cura daqueles que se recomendaram à Fátima desde o início das aparições. 

          O espírito se apaga e os próprios homens de Deus se curvam ao Reino de César. A mentalidade do mundo penetrou na Igreja.

          É absolutamente necessário, é urgente que realizemos a devoção ao Imaculado Coração como Nossa Senhora mostrou à Irmã Lúcia na aparição de dezembro de 1925, cumprindo sua promessa de 1917. Santo Rosário, confissão e comunhão. Em reparação a Ela, Mãe de Deus, minha Mãe, sua Mãe. Em agrado a Nosso Senhor Jesus Cristo.

          A reparação a Ela é a libertação espiritual que levará luz à consciência de uma humanidade desorientada na escuridão e que trilhou o caminho dos grandes erros, para salvar quantos puderem ser salvos e trazer paz ao mundo.

          O Santo Rosário deve ser rezado mais do que nunca e a devoção ao Imaculado Coração propagada pelos quatro cantos da Terra.

          Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

terça-feira, 12 de maio de 2020

Nossa Senhora profanada na Rússia


          Neste 9 de maio, a Igreja Ortodoxa Russa inaugurou a majestosa e imponente Catedral Principal das Forças Armadas Russas, ou Catedral da Ressurreição de Cristo, no Parque Patriota, perto de Moscou. A igreja possui 97 metros de altura e foi dedicada ao 75º aniversário da vitória na Grande Guerra Patriótica, como é chamada na Rússia a Segunda Guerra Mundial.

          Dentro da igreja há vários mosaicos. Dois, porém, chamam a atenção.  

          O primeiro, acima à esquerda, mostra Nossa Senhora vestida com as cores da bandeira nacional. À esquerda da imagem há um cartaz onde se lê "A Crimeia é nossa", numa referência à anexação da Crimeia pela Rússia em 2014; em destaque ao centro, Vladimir Putin e o ministro da defesa Sergey Shoygu; nas bordas, o exército russo. A Mãe de Deus está abençoando a nação em seus feitos recentes.

        Neste início de maio, o comitê responsável pelas artes, arquitetura e restauração da Igreja Ortodoxa Russa afirmou que vai remover o mosaico. O pedido de remoção seria do próprio Putin.

          Mas o segundo mosaico é o mais problemático. Nele, Nossa Senhora abençoa o Exército Vermelho na vitória na Segunda Guerra. Os generais aparecem colocam à frente do Kremlin e da Catedral de São Basílio, símbolos máximos da Rússia, em meio à queima de fogos. À direita, há uma imagem de Stálin, líder do país no conflito. Nossa Senhora veste as cores do país comunista. 

          Este mosaico causou controvérsia e críticas de parte do clero da Igreja Russa devido à referência a Stálin. Apesar da discordância e do desconforto, decidiu-se manter a imagem. Há de se deduzir que há influência do Kremlin na questão, historicamente um patrocinador do reavivamento religioso na Rússia atual. 

          Como toda a imagem, o mosaico carrega uma representação, transmite uma mensagem, uma realidade. Este simbolismo é ainda mais profundo e impactante quando se trata dos sentimentos religioso e nacional, abundantes no mosaico. Ali estão cristianismo e comunismo soviético.  

          A associação da história soviética com Nossa Senhora é uma ofensa, uma blasfêmia que deve ser reparada com orações até que se tome a atitude de se reparar fisicamente esta profanação. Desnecessário dizer os crimes cometidos pelo regime que matou 30 milhões de pessoas do próprio povo.

          Outro elemento que chama a atenção é a data da inauguração da catedral, quatro dias antes do dia de Nossa Senhora de Fátima. 

          É de conhecimento dos católicos a mensagem de 13 de julho de 1917 onde Nossa Senhora afirmou que viria pedir a consagração da Rússia ao seu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. A devoção dos sábados é a devoção ao Imaculado Coração, que foi detalhada à irmã Lúcia na aparição que recebeu em 10 de dezembro de 1925, em Pontevedra, na Espanha.

          Em maio de 1930, Jesus Cristo informou à irmã Lúcia, então na clausura em Tuy, na Espanha, que o número de sábados eram em reparação a cinco ofensas e blasfêmias cometidas contra o Imaculado Coração de Maria. E uma destas era justamente os ultrajes dirigidos às imagens Dela, tal qual vemos na nova catedral.

          Importante lembrar sempre que devemos sempre rezar pelos mortos, independente quem sejam eles, porque não sabemos seu destino, determinado apenas por Jesus Cristo. Não sabemos, portanto, quem são, as causas e as motivações dos 27 milhões de cidadãos e soldados soviéticos que foram colocados à força para morrer na linha de frente da guerra.

          Há diferença entre pedir a intercessão materna pelas almas e associá-la à "glória" de um regime tirânico, promotor de conflitos e inimigo aberto da Igreja. O primeiro é um dever cristão, o segundo uma blasfêmia que pode e deve ser reparada com a devoção ao Imaculado Coração de Maria. 


domingo, 3 de maio de 2020

Jacinta e a distância entre o Céu e a Terra

  
          Logo nas primeiras páginas de suas memórias, Irmã Lúcia de Fátima descreve a personalidade da pequena Jacinta Marto (1910 - 1920), sua prima que, junto com Lúcia e Francisco Marto, presenciaram as aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria em 1917.

          Impressiona a simplicidade e a força da pequena Jacinta, então com sete anos. Segundo Lúcia, Jacinta era muito melindrosa e demonstrava ter grande sensibilidade emocional.

        Pois foi com esta sensibilidade que Jacinta se dispôs ao sacrifício como ninguém. Ela "parecia insaciável na prática do sacrifício", diz Lúcia, principalmente depois que os três pastorinhos tiveram uma breve e intensa visão do inferno na aparição de 13 de julho.

          Após o pedido de Nossa Senhora em 13 de maio, em tudo ela queria se sacrificar pelos pecadores e buscava meios de fazer sacrifícios pela conversão deles. 

          Certa vez, quando ela e Lúcia foram pastorear as ovelhas da família, Jacinta decidiu por entregar seu almoço a um grupo de pobres pedintes no caminho para o campo, e logo eles passaram a esperar as duas todos os dias para receber alimento. Um ato de sacrifício pelos pecadores. 

          E a situação se repetia: recusou-se a beber água oferecida por Lúcia num dia de calor intenso, suportou a gritaria e a dor de cabeça provocada por grilos e rãs no campo onde pastoreavam as ovelhas, transformou o choro em oração quando ela, Lúcia e Francisco passaram a noite na cadeia de Ourém sob pressão das autoridades locais antes da aparição de agosto.  

          Tudo em sacrifício pelos pecadores, mas também ao Papa e a Jesus. Tudo pelos pedidos de Nossa Senhora. E assim deveria ser, sem questionar, sem entender, apenas crer. 

          Sua sensibilidade e extrema simplicidade com que concebia as coisas de Deus permitiram a Jacinta sublimar esta sensibilidade em coisas práticas do cotidiano, transformando a dor em graça para si e para os outros. Ou, como se diz nos dias de hoje, fazia do limão uma limonada.

          Impressiona a força e a disposição da pequena santa em vencer a si mesma, porque em seu lugar muitas outras pessoas não só reclamariam como também não aceitariam tais contratempos.

          A caminhada para o Céu é longa para aqueles que não o vislumbram. Jacinta era simples e humilde o suficiente para não colocar obstáculos entre ela e a vontade divina manifesta em Nossa Senhora, e por isto mesmo bastaram apenas dez anos para que ela alcançasse o Céu. Sua sensibilidade era um tempero, um elemento que ela escolheu utilizar para subir ao Alto e não para se fechar em sua murmuração. 

          Para os que não concebem a realidade como Jacinta concebia, o Céu parece muito distante. Mas ledo engano: nós já vivemos em meio ao Paraíso, cercados por Deus, seus anjos e santos. "Nele nos movemos, somos e existimos", ensinava o Apóstolo Paulo.

          A diferença é que escolhemos falsos atalhos em caminhos tortuosos que fazem o Paraíso ao lado parecer tão distante quanto as estrelas estão acima de nossas cabeças.        

quarta-feira, 25 de março de 2020

A crise do coronavírus e os "erros da Rússia"


          Esta pandemia e a confusão subsequente é mais um dos tantos efeitos dos chamados "erros da Rússia" profetizados em Fátima em 1917. Nossa Senhora afirmou que para alcançar a paz mundial era necessária a devoção ao seu Imaculado Coração e a consagração da Rússia. Do contrário, a Rússia espalharia seus erros pelo mundo.  Isto é a prova de que seus pedidos nas aparições não foram cumpridos, ao menos não totalmente.

          Ainda.

          Segundo O Livro Negro do Comunismo, em 1922, a NKVD (futura KGB) plantou a revolução no sul da China, na região de Cantão, fornecendo armas e expertise para a ação revolucionária. Os comunistas tomaram o poder em 1949 com apoio soviético.

          Não cabe aqui repetir o que muitos já sabem, que o governo de Pequim provocou a morte de pelo menos 60 milhões de pessoas, sendo a maioria por efeito e repressão do Grande Salto para Frente, que ceifou 40 milhões de vidas na maior fome de todos os tempos.

          Na atual crise relacionada ao coronavírus, há fontes que mostram que a China não só ocultou como destruiu provas de que estávamos frente a uma epidemia, além de perseguir e silenciar os médicos que tentaram avisar as pessoas. Só quando a situação começou a sair do controle, o PC Chinês comunicou a gravidade da situação.

          Na metade de março, a União Europeia denunciou que organismos de propaganda da Rússia espalharam notícias falsas e contraditórias sobre o coronavírus. Isto teria gerado aumento da confusão e maior dificuldade no combate à doença. O objetivo desta investida é afetar o Ocidente e enfraquecer seu poder político, econômico e militar, principal objetivo da política externa russa hoje. EUA, União Europeia e OTAN são seus maiores adversários.

          Não é preciso dizer que o que chineses e russos fizeram na atual crise foi uma monstruosidade. E não é de graça que os mais afetados pela pandemia e o medo, paralisia e confusão daí decorrentes são justamente os adversários geopolíticos destes dois países. A China é uma ditadura comunista, a Rússia é herdeira direta do poder soviético, e ambos são parceiros estratégicos para solapar o poder do Ocidente.

          Infelizmente, os "erros da Rússia" profetizados em Fátima vão muito além disso e têm uma longa história que é muito difícil de definir e apresentar. Abrangem, além das guerras, revoluções e genocídios promovidos diretamente pela URSS no século XX, mudanças políticas, sociais e culturais nas últimas gerações promovidas pela penetração do movimento comunista no campo da cultura. O movimento possuía como objetivo destruir as bases civilizacionais do Ocidente, como a religião, a família e os valores de convivência, e promover toda a sorte de propaganda, relativismo, revoltas e crimes.

          O mundo atual foi totalmente transformado por um movimento revolucionário de larga escala que influenciou todos os campos da vida pública e mesmo pessoal. A atual crise do coronavírus é apenas um aspecto desta realidade.

          Hoje vivemos dentro do "erros da Rússia". Mas isto já é outro.         

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Um chamado de Fátima para o islam?


          A distância em linha reta entre o Santuário de Fátima e a Grande Mesquita em Meca é de exatamente 5 mil quilômetros! Fátima é a única cidade portuguesa com nome árabe, de uma mulher muçulmana que se converteu ao cristianismo para se casar com um cavaleiro português.
          Ora, como mostra o professor Felipe Aquino, no Evangelho o número 5 está relacionado ao reconhecimento à autoridade do Senhor; islam é a palavra que, em árabe, significa "submissão". Talvez a distância entre Fátima e Meca tenha esta relação, represente a autoridade divina sobre a humanidade, mais especificamente sobre os muçulmanos.
          Mas a aparição de Nossa Senhora ocorreu em Fátima, não em Meca. Ou seja, não são os cristãos que devem se voltar à Meca, e sim os muçulmanos que devem se voltar à Fátima. Creio que isto seja um recado e um anúncio aos muçulmanos, de que um dia eles reconhecerão a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo.
          A relação entre Fátima e o islam já foi apresentada pelo venerável Fulton Sheen, o padre Paulo Ricardo e está na parte final do documentário "Fátima. O Último Mistério", mas a relação da distância entre os dois locais merece maior atenção, além de outras possíveis relações que possam haver entre eles e a mensagem de Nossa Senhora.
          Enfim, isto é uma especulação minha, mas Deus queira que seja verdade.