Mostrando postagens com marcador lockdown. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lockdown. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de maio de 2022

A loucura do ciclone

(Imagem de satélite da Tempestade Subtropical Yakecan na tarde de 17 de maio.)

          Na chuvosa e ventosa tarde de quarta-feira passada dirigi da orla do Guaíba, em Porto Alegre, até minha casa, distante dez quilômetros do local. Meu temor não se confirmara: trânsito livre durante todo o trajeto, poucos carros se comparado à hora do rush. Deveria ficar parado por alguns momentos, disputar espaço com alguns carros e ter um pouco de paciência. Nada disso. Dirigi tranquilo como se estivesse numa manhã de domingo.

          Passei pela rua de um grande colégio particular. Ninguém na calçada, os alunos foram dispensados porque o incomum ciclone subtropical ameaçava a segurança da gurizada. Até aí sabia do fechamento de algumas escolas e universidades, obviamente um exagero, mas ainda assim parecia ser algo pontual. Até dobrar uma esquina e ver uma academia sempre lotada às escuras. Onde estava o pessoal? Como vim chegar tão rápido em casa justamente na hora mais movimentada do dia e sob chuva?

          Só então percebi que boa parte de Porto Alegre estava paralisada pelo alerta do Ciclone Subtropical Yakecan, nome indígena utilizado para batizar o fenômeno e que significa "som do céu" na língua tupi-guarani. O ciclone, considerado tempestade devido às rajadas de vento acima dos 62 km/h, limite mínimo para essa classificação, paralisou não só parte de minha cidade com mais de trinta no Rio Grande do Sul. Escolas, universidades, parte de comércio e serviços fechados, trânsito à míngua, quase ninguém nas ruas.

          Já vi ventanias muito piores do que a do referido ciclone, um fenômeno raro devido à sua trajetória, dado que os últimos ciclones subtropicais que acompanhei em vários anos passados nunca chegaram em terra com seu centro. Ventos muito fortes, um pouco menos do que o previsto com rajadas que poderiam chegar à força de um furacão. 

          A diferença, porém, é que as chamadas "rajadas de furacão" (de 120 km/h para mais) não são ventos como de um furacão, que se caracterizam pela velocidade sustentada, ou seja, contínua de 120 km/h ou mais. Curiosamente Porto Alegre parou parcialmente por ventos que já vira muitas outras vezes, como ciclones extratropicais que causaram ventanias piores do que nosso querido Yakecan.

          Se formos levar em consideração o alerta não havia razão para paralização. O histórico não evidenciava risco de vida, fora fatalidades que pudessem ocorrer pela navegação em alto-mar ou em alguma circunstâncias fatal pela grande população de uma metrópole. Dezenas de outros ciclones e temporais, seja de verão ou por frentes muito ativas, não levaram a qualquer fatalidade, e não havia cabimento a paralisia pela tempestade que se avizinhava.

          Fiquei impressionado - e incomodado - pela reação exagerada e patológica ao ciclone. Se a cada alerta meteorológico tivermos de tomar medidas draconianas do tipo como poderemos planejar coisas de médio prazo como planos de aula para um trimestre, viagens e obras? Como organizar uma agenda de negócios e atendimentos para uma semana? Se o ciclone exige, pelo suposto risco à segurança, paralisar todas as atividades, por que não fazer o mesmo num alerta de chuva muito forte e volumosa devido a um outro sistema meteorológico que venha despejar baldes de água sobre a cidade ou áreas montanhosas com risco de deslizamentos? E num ciclone extratropical subindo ao longo do litoral, coisa muito comum no período do outono à primavera na costa sudeste da América do Sul, não deveríamos nós ficarmos forçosamente em casa num dia de muito vento seguindo à risca alertas meteorológicos baseado em previsões - sim, previsões, não profecias místicas - ignorando toda a variabilidade da própria margem de erro da previsão e da complexidade e espontaneidade da vida cotidiana?

          Sim, o Ciclone Yakecan foi incomum por ser subtropical e raro pelo trajetória e força, mas o precedente aberto pela paralisia deu margens para outras loucuras do tipo. Os dois grandes elementos dessa loucura foram, primeiro, o medo invisível que se mantém difuso pelos ares desde o auge da pandemia e, segundo, a má comunicação - e mesmo o conveniente exagero para angariar publicidade na internet - ao considerar a tempestade uma ameaça mortal como um furacão, ao qual o ciclone foi comparado.

          Dessa vez o inimigo não era invisível como um vírus, mas também não era identificável diretamente, pois ninguém pode ver um ciclone em todo o sem conjunto. Dependendo do suporte informativo de terceiros, as pessoas ficaram à mercê de alguns porta-vozes que não sabiam muito bem como se dirigir a elas para falar de algo novo, outros fizeram um desnecessário sensacionalismo para chamar a atenção e ganhar notoriedade, outros ainda afirmaram, sem saber, que o Yakecan poderia virar um furacão e repetir a tragédia do Catarina em 2004. 

          O que fazer, então, com uma ameaça que não podemos ver e que a qualquer momento pode ameaçar a sua vida? O único remédio evidente era evitá-lo, não tocá-lo, tomar distância e ficar em casa. Tudo já condicionado pelos últimos dois anos de loucura. As pessoas ficaram com medo, o comércio fechou e a debandada foi geral. 

          Mas a novidade foi que a paralisia veio não por imposição, mas por alertas e recomendações de órgãos públicos e privados, como a Defesa Civil Nacional e alguns institutos de meteorologia. Com medo, muitas pessoas decidiram acatar as recomendações, e muitos locais, como uma universidade aqui em Porto Alegre que visitei no dia seguinte, paralisaram as atividades por pressão das próprias pessoas. 

          De forma um tanto confusa, o Yakecan causou uma espécie do lockdown climático parcial e abriu o perigoso precedente que busco alertar aqui, o de manipular a opinião pública e impor por meios tirânicos a paralisação e controle de tudo em nome da "segurança" e do "bem comum". Lockdown e comportamentos condicionados, como bem sabemos, com base supostamente científica e prontamente declarada por ditadores de província, engenheiros sociais e ativistas ávidos por transformar a sociedade para um mundo melhor, todos com suporte e patrocínio do velhos meios de comunicação.

          Nada impede que uma nova tempestade ou mesmo um fenômeno meteorológico comum reative o fechamento geral e a censura em bloco. Afinal, quem irá contra o "senso comum" fabricado pelas redações de jornais cujo objetivo é exatamente esse, o de forjar um senso comum?  

          O Yakecan provou que isso é possível e que muitas pessoas, talvez a maioria delas, estejam dispostas a baixar a cabeça ante uma nova tempestade de decretos e aceitem uma nova censura e um novo lockdown. Todas de forma absolutamente passivas como árvores ao vento.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Vocês estão prontos para os lockdowns climáticos?

          Este é um artigo publicado no site da revista The Spectator, escrito pelo colaborador Stephen L. Miller, com o título Are you ready for the climate lockdowns? Foi publicado em 5 de fevereiro de 2021. 

          Dada a relevância do tema, tomei a liberdade de fazer uma tradução para este blog. Boa leitura!

          VOCÊS ESTÃO PRONTOS PARA OS LOCKDOWNS CLIMÁTICOS? 

          É só uma questão de tempo.

          Na última semana, o presidente Biden assinou uma ordem executiva para entrar novamente nos Acordos Climáticos de Paris. Esse foi um gesto principalmente simbólico, já que o mesmo alarmismo empurrado antes do acordo em 2016 ainda está sendo empurrado agora, enquanto nações como a China ainda o ignoram. Agora, o enviado climático do governo Biden, John Kerry, sob ataque por embarcar num jato privado à Islândia para aceitar um prêmio climático, está dizendo aos Estados Unidos e ao mundo que as condições do acordo de Paris são "inadequadas".

          Como a elite climática global empurra às massas a alimentação de insetos e o fique em casa para salvar a Terra, vale a pena colocar a questão: o que será adequado? Com o Fórum Econômico Global em Davos em abril se aproximando, vamos começar a ouvir termos como "Equidade Climática" e "Redefinição Climática" (uma brincadeira com o Great Reset* do FEG) com mais frequência. Provavelmente, também começaremos a ouvir apelos por lockdowns climáticos**. Sei que, agora, isso soa completamente absurdo, mas essas ideias excêntricas não encontram sempre uma maneira de adentrar no mainstream? Quinze Dias para Diminuir a Atividade do Sol!

          A possibilidade de lockdowns climáticos já está sendo ventilada por alguns de nossos maiores pensadores. Eles veem a confluência de crises globais como uma oportunidade. A tempestade perfeita causado pelo COVID-19 e o colapso econômico global resultante oferecem uma chance de realizar o que veem como ação uma ousada e dramática para salvar o planeta. O governo Biden certamente utilizará as consequências do COVID para fazer passar algumas legislações verdes, mas, como antes, não será o suficientes para os progressistas. Tem de haver sempre mais.

          Mariana Mazzucato, escritora e professora de economia inovadora na Universidade de Londres, levantou a perspectiva de lockdowns climáticos na MaketWatch em setembro passado:

          "Sob um 'lockdown climático', governos limitariam o uso de veículos particulares, proibiriam o consumo de carne vermelha e imporiam medidas extremas de economia de energia, enquanto as companhias de combustíveis fósseis teriam de suspender a perfuração. Para evitar tal cenário, deveríamos revisar nossas estruturas econômicas e fazer o capitalismo de maneira diferente."

          A ideia de "fazer o capitalismo de maneira diferente" é a motivação retórica motriz por trás do Great Reset do Fórum Econômico Mundial (outro termo para a implementação do marxismo global).

          Karl Lauterbach, um parlamentar do Partido Social-Democrata alemão, escreveu no Die Wlet em dezembro passado que "precisamos de medidas para lidar com a mudança climática que sejam semelhantes às restrições à liberdade pessoal [impostas] para combater a pandemia." Há quanto tempo até que essa teoria abra caminho nos meios de comunicação e nos discursos políticos aqui?

          Sem dúvida, essa ideia será explicada como simplesmente "seguir a ciência". Os lockdowns que começaram na primavera de 2020 contribuíram para o que os cientistas estão chamando de a maior queda nas emissões de CO2 em anos. A principal razão para isso foi o decréscimo de aproximadamente 40 por cento no transporte de automóveis e aviões. O Fórum Econômico Mundial elogiou esse número numa postagem de blog intitulada "Emissões caíram durante o lockdown. Vamos mantê-la assim."    

          Alarmistas climáticos como Greta Thunberg e John Kerry estarão salivando com a perspectiva de usar os dados de emissões para colocar em prática suas ideias de um futuro livre de metano - e aviões. Como ousa refutar! Se podemos todos ficar em casa por duas semanas (que inevitavelmente se tornariam quatro semanas), vale a pena para salvar o planeta. Qualquer um que questionar tais propostas será rotulado de um negacionista científico e acusado de querer matar seus vizinhos (você sabe, como o que você ouve se não usar máscara para uma caminhada casual em torno do quarteirão).

          Como os governadores e o governo federal imporiam lockdowns climáticos? Simples: declarando que a mudança climática é uma crise imediata de saúde pública e segurança nacional, e usando a mesma autoridade garantida a eles pelos departamentos de saúde pública para implementá-los sob as mesmas diretrizes que fizeram para o COVID-19. Bernie Senders e AOC anunciaram um projeto de lei sugerindo ontem!

          Esse foi sempre o risco com a implementação em massa de lockdowns. Uma vez que seus líderes impõem um sob o pretexto da saúde pública, eles não irão simplesmente colocar de lado seu poder de fazer o mesmo novamente. Não se preocupe, eles estão apenas seguindo a ciência.

----------

* Não traduzi o termo "Great Reset", que é de conhecimento de todos e possui mais de uma tradução possível.

** Mantive o termo "lockdown", que significa "bloqueio". Lockdown climático é bloqueio climático ou bloqueio do clima.