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quinta-feira, 7 de maio de 2020

A grande aliança


          Tanto o Grande Negócio quanto o Estado Socialista são grandes em suas dimensões, utilizam muitos recursos, exigem grande quantidade de pessoas e são hierarquizados e organizados.
          Ambos buscam a geração de riquezas vultuosas. A diferença é que o primeiro busca a geração de riqueza para si e o segundo para o sistema, ainda que nominalmente afirme convertê-lo para o povo.
          Mas o mais importante aqui talvez seja a necessidade de controle da ordem estabelecida.
          Bem sabemos a necessidade do Estado Socialista de controlar a ordem política, social, militar, cultural e econômica.
          O Grande Negócio, por sua vez, possui o dilema de, assim como gerou riqueza com a dinâmica de mercado, poder perder tudo para este mesmo mercado numa situação de crise ou mudanças bruscas.
          Nesta situação, aparece o caráter político do Grande Negócio: para não perder a vultuosa riqueza que adquiriu ele passa a buscar o controle do mercado, seja pela formação de monopólios e oligopólios, seja apoiando o poder político estatista e os movimentos de esquerda.
          Grande Negócio e Estado Socialista se abraçam neste objetivo: ambos almejam o controle do mercado e, portanto, da sociedade que o envolve, porque as pessoas tomam decisões que determinam os rumos do mercado.
          Para ambos é necessário que a sociedade se comporte de acordo com os objetivos do Grande Negócio e do Estado Socialista. Não por acaso, bancos ganham vultuosos lucros em governos estatistas e governos estatistas dependem de grandes empresas para permanecerem de pé.
          Ambos crescem e prosperam prometendo riqueza em abundância e subjugam todas as coisas a esta promessa, a começar pela liberdade de decidir em que sociedade se deseja viver.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

A tirania e a miséria ilimitadas do socialismo


          Esta afirmação de Chesterton, de 1935, talvez carecesse de evidências históricas para ser afirmada, mas já poderia ser concluída por alguém que conhecesse o pensamento socialista.

          Ao final de contas, os acontecimentos ao longo do último século corroboraram de forma universal o que nosso escritor afirmou.

          O socialismo, concebido historicamente como a centralização do aparato político, econômico, militar e cultural na mão do Partido Comunista ou algum regime similar, mostrou-se tirânico e fracassado onde quer que fosse implantado, de Cuba ao Camboja, na Rússia e na China, da Romênia à Etiópia.

         É ingenuidade não esperar que socialistas sonhassem em dirigir o Estado e não em serem dirigidos por ele. Ou será que eles sonhavam em cortar cana numa fazenda coletiva do Caribe ou bater martelo numa fábrica na Sibéria?

          Como vimos em suas lideranças, os socialistas não se consideravam ingênuos, mas dotados de habilidades e dons acima do normal. Não poderia surgir a sociedade futura a partir do homem comum, somente da elite revolucionária.

          Do desejo de controle também surgiu a máquina necessária para este controle.

          Mas o controle total da sociedade é impossível porque é impossível prever todas as decisões de seus cidadãos. E com tanto gente no aparato burocrático do Estado, tornou-se impossível seu regulamento dinâmico.

          Necessariamente falho e ineficiente, o fracasso se tornou inevitável, bem como toda a sorte de ilegalidades e crimes realizados para driblar o aparato estatal.

          Não é difícil concluir que os recursos escassearam com o tempo. Da mesma forma como não há iluminados em número ilimitados, também não há recursos infinitos.

          Foi a própria ignorância socialista que jogou seus regimes na miséria, bem como o povo que dizia defender no calabouço da tirania.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Os perigos do socialismo e sua irmandade com o fascismo


          Quando os socialistas "clássicos" afirmam que os meios de produção deveriam estar sob controle do povo, eles estão afirmando que as riquezas produzidas por estes mesmos meios seja igualmente distribuída para todos.
          No artigo "Os perigos do socialismo", Chesterton é bastante lúcido e direto ao observar que é impossível, por questão prática, que todo mundo controle os meios de produção. É estritamente necessário que um grupo de pessoas faça este serviço e que a grande maioria não tenha relação direta com ele. Este grupo, portanto, precisa ser justo, bom e refletir a consciência do povo.
          Chesterton faz a seguinte pergunta: dado que há pessoas boas e más na sociedade, não seria a ordem socialista perigosa? A necessária centralização do poder para a realização do socialismo torna a tirania um perigo sempre à espreita. Qualquer um que se levantasse contra a ordem estabelecida poderia ser privado dos meios de subsistência e tirado do sistema. Futuramente, Stálin viria a corroborar exatamente esta ameaça.       
          O cientista político Robert Michels também observava este perigo, mas como uma necessidade do sistema. Na década de 1920, Michels, então um socialista, desenvolveu a chamada "lei de ferro da oligarquia", que consiste centralizar o poder numa elite para que seja possível a realização da democracia em sua forma mais direta possível. 
          Idealmente, esta lei de ferro consistiria em concentrar todo o poder em um único indivíduo, que encarnasse a vontade de todos. Anos mais tarde, Michels se tornaria adepto do fascismo, cujo lema máximo seria exposto por Mussolini, ao declarar: "Tudo para o Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado." 
          Dada a experiência de Michels e a, louvada pelos marxistas, "experiência socialista", não surpreende que fascismo e socialismo sejam irmãos na tirania.

domingo, 26 de abril de 2020

O pecado original em forma de sistema


          O socialismo necessita da concentração de poder para sua implantação. A razão é simples: se este sistema preconiza a igualdade socioeconômica, então é necessário que alguém tenha poder maior do que as grandes empresas e corporações juntas para transferir renda dos mais ricos aos mais pobres.

          Ocorre que a lógica socialista não precisa de mais nada. A este sistema basta a resolução da desigualdade para que todos os demais elementos da sociedade se ajustem automaticamente.

          Religião, cultura, arte, educação, comunicação, ordem social, hábitos, costumes... todos estão subordinados à lógica socialista da correção das desigualdades econômicas. Todos são portanto, dispensáveis.

          O socialismo parece um objetivo simples de realizar, mas sua realização depende da subordinação de todas as coisas à vontade de uma elite superpoderosa plasmada no sistema.

          É neste sentido que Chesterton afirma que o socialismo não se baseia no otimismo, mas no pecado original. Nesta ordem, o homem não precisa de nada mais do que a elite governante. Cultura, hábitos e religião são ilusões dispensáveis quando comparados ao objetivo supremo.

          No socialismo, todo o poder de transformação do mundo está nas mãos do homem, que determina inclusive a moral, o que é o Bem e o Mal na nova ordem vigente. Ele tudo sabe. Faz de sua soberba a norma juridicamente estabelecida.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Lênin vive


(Camarada Zuckerberg)

Neste momento, estou escrevendo um artigo sobre a relação Igreja-Estado na URSS. A Constituição soviética era bem bonitinha: garantia liberdade de consciência e de religião, propaganda pró e antirreligiosa, liberdade de culto, separava Estado e escola da Igreja, etc. Sempre com o objetivo de construir o socialismo. Na prática, os comunistas de fato construíram o socialismo, mas violaram todas as demais leis que garantiam as liberdades fundamentais, matando, prendendo, controlando os religiosos remanescentes, jogando uns contra os outros, tirando toda a autonomia da Igreja, etc. Por quê? Porque para se alcançar a sociedade perfeita, não interessavam os meios, mas os fins. Isto era estratégia revolucionária para alcançar o controle sobre toda a sociedade: de um lado a garantia da lei para o mundo ver, do outro a repressão sob os auspícios desta mesma lei, justificando perante a sociedade que estava tudo de acordo com ela.
Guardadas as devidas proporções, a censura que está sendo feita na internet para combater as "fake news" tem a mesma lógica: em nome de uma "saudável" liberdade de expressão, da "democracia", da "verdade", se violam todos os princípios que esses mesmos meios de comunicação dizem defender. Com o objetivo de "defender" a lisura das eleições deste ano, hoje o Facebook derrubou 196 páginas e 87 perfis de direita na rede, muitos da rede do MBL, que foi taxado pela imprensa "oficial" de "extrema-direita". E não pensem que eles pararão por aí: se foram capazes de sabotar as páginas através das quais a direita cresceu no Brasil (Jair Bolsonaro é o primeiro colocado nas pesquisas de intenções de voto, eis o alvo destas eleições), qualquer outro grupo que desagrade o Facebook ou "nossas instituições" sofrerão a mesma punição. Seja de direita, esquerda, meio, ou de jogadores de canastra.
Não é de graça que o controle da internet, que vem no corpo da Nova Ordem Mundial, é de inspiração socialista. Eles aprenderam com seus mestres.