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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Os motores do mundo

(Todo o plano de ação é precedido por inspirações, pensamento e o brotar das ideias. Na foto, biblioteca de Oxford, Reino Unido, que visitei em setembro de 2015.) 

Estou entusiasmado com a renovação deste blog. Acredito que finalmente encontrei uma dinâmica de trabalho que me satisfaz.

A razão desta satisfação é justamente sua dinâmica. Escrever aqui não é uma mera banalidade ou algo impensado, mas ao mesmo tempo não é algo que exige um esforço de longo prazo de forma que os resultado demorem a aparecer. É o que acontece no meu outro blog "A Rússia e o mundo" (http://arussiaeomundo.blogspot.com.br/) onde os assuntos exigem leitura de diversas reportagens, artigos e acompanhamento do tema para, depois, serem organizados numa complexa trama de ideias e conexões que se revelam ao longo da pesquisa. É um trabalho investigativo que exige paciência cujo retorno é demorado.

Aqui no blog o processo é mais dinâmico: tenho algum inspiração, faço uma breve oração invocando Nossa Senhora, o Espírito Santo e São Tomás de Aquino e coloco a ideia no computador. Mas é claro que isto não basta, e pretendo ir um pouco além: a exemplo do blog sobre a Rússia, trarei aqui algumas investigações pessoais. Durante meu mestrado em Ciências Sociais defendido em 2012 na PUCRS descobri que tenho vocação para atividade de pesquisa, mas não numa sala fechada ou na frente do computador, e sim saindo à rua, conversando e entrevistando as pessoas, recolhendo documentos, tirando fotografias, observando os locais e garimpando informações em livros e na internet. Por isso os temas da Rússia são, para mim, de mais difícil execução por seu trabalho ser monótono e exigir mais paciência. Preciso sair. Preciso ir à rua. Preciso circular.
  

(Os que têm a pretensão de mover o mundo não expõem seus planos. É lá que o pesquisador tem que chegar: ver o que as demais pessoas não vêem.)

O mestrado e meu blog sobre a Rússia me ensinarem duas coisas. A experiência do trabalho de campo no mestrado me mostrou que o contato com a realidade fundamenta e legitima (ou não) as ideias expressas nos livros e permitem a descoberta de fenômenos que as pessoas sentem e percebem, mas não vêem ou não entendem. Só o pesquisador vê e entende. É um mundo que se revela aos nossos olhos numa experiência única de vivência que só você poderá compartilhar com os outros. Já a atividade do blog fez eu observar com mais clareza que as principais questões políticas não são decididas nos eventos públicos ou à vista de todos, e sim nos bastidores através de contatos, círculos de poder, reuniões e formação de grupos muitas vezes discretos. Também observei isto no mestrado, mas foi nas investigações sobre a política russa que o fenômenos ficou mais claro. Muitas das ações políticas são motivadas, claro, por interesses pessoais, mas também pelas ideias e ideologias que fornecem visão de mundo e sentido de vida. Caso este último ponto não fosse verdadeiro, seria impossível a execução de planos de longo prazo com observa-se, por exemplo, no projeto eurasiano do Kremlin e na rede de contatos por ele organizado para angariar aliados nos países vizinhos à Rússia e na Europa para seu plano geopolítico global. O que o público vê pela TV já foi discutido e organizado anos antes, às portas fechadas de clubes, hotéis e universidades sem que ninguém desse muita bola. A Ucrânia que o diga. A guerra em andamento naquele país era organizada desde pelo menos 2006 (http://arussiaeomundo.blogspot.com.br/2015/07/ucrania-uma-crise-planejada-revisar.html).

(O observador atento vê que o plano geopolítico da Rússia é traçado nos bastidores, já o público vê seu resultado depois que tudo já foi executado. Na foto: Kremlin de Moscou, sede do governo russo.)

Entre observações, inspirações, comentários, análises e reflexões, este blog também contará com investigações e pesquisas pessoais. Há um mundo a ser explorado. Seria chato demais se tudo fosse decidido apenas através dos livros e da internet. Por trás deles há alguém que pensou e planejou a existência deles. São essas pessoas que importam, são elas que movem o mundo e é lá que quero chegar.

Um recomeço


Criei este blog em meados de 2006. Na época a ideia era divulgar comentários, pensamentos e testemunhos sobre os mais diversos assuntos e que abrangessem três assuntos que levam o nome do blog. No título coloquei a palavra "Deus" para falar de fé, religião, espiritualidade e algumas experiências pessoais; coloquei "Terra" porque sempre gostei de Geografia (minha graduação) e sou apaixonado por meteorologia, meu hobby diário; e "humanidade" porque gosto de falar de pessoas, sociedade, cultura, História, política, e assim por diante.

Hoje resolvi resgatar este blog. Sim, vivemos num mundo do qual não podemos escapar, há um Deus que nos olha do e para o plano da eternidade e julga todas as coisas nesta perspectiva, mas é às pessoas que quero chegar. Os textos aqui serão feitos para chegar às pessoas, tocá-las (não sentimentalmente, porque seria pedante), ir fundo na alma. Se o que fazemos é indiferente, das duas uma: ou a pessoa que recebe nossos atos está fechada, ou nosso trabalho não foi feito com amor. Se há amor, há um toque; onde não há amor, não há nem mesmo ódio, cuja existência se justifica pelo sentimento oposto, e sim indiferença.

Acredito que tenho um dom para chegar às pessoas. Não falo por vaidade, mas porque já me disseram isto várias vezes, e porque procuro falar as coisas de coração. Também já me foi dito que as pessoas não ficam indiferentes ao que eu digo, talvez porque leve as coisas muito à sério (mesmo excessivamente à sério) e seja um pessoa profunda. Gosto de falar de coração. Falar de coração não é falar em tom sentimental ou fazer as pessoas se emocionarem. É falar em Espírito e em Verdade, exatamente como Jesus Cristo nos pediu quando orássemos a Deus. Uma oração é falar com Deus. Portanto, aos falarmos com as pessoas temos de fazer a nossa oração a elas.
  

(Nossa vida é uma mar de incertezas. Estamos cercado de escuridão guiados por poucos pontos de luz. O firmamento é nossa mensagem diária de humildade, a representação de nossa inteligência e da nossa limitada capacidade de compreender a realidade na sua forma integral.) 

Obviamente não fazemos isso o tempo todo. Na maior parte das vezes falamos no automático, sem pensar muito nas palavras, de forma inconsciente e respondendo espontaneamente às situações cotidianas. Muitas vezes regado a risadas, palavras azedas e mesmo xingamentos. Mas ao mesmo tempo temos nossos momentos especiais de introspecção, intuição e entendimento da realidade. São aqueles momentos em que temos uma iluminação, a percepção interior de que descobrimos, por um breve instante, uma dimensão da realidade que até então não havia sido inteligida por nós. Este é o momento em que um pouco da Verdade nos é revelada, e é isto o que importa.

Quero chegar às pessoas de alguma forma. Espero que os que lerem o que aqui for escrito não fiquem indiferentes. Não falo em tomar posição sobre certos temas, e sim em levar um pouco do que eu vi e percebi da vida a partir de uma perspectiva pessoal. Tudo o que vemos e percebemos é a partir de uma pessoalidade, porque é materialmente impossível vermos o que os outros vêem ou o que os objetos a nossa volta presenciam. Toda a experiência é única, exatamente como a resposta a cada uma delas, o que nos faz estritamente responsáveis por cada segundo de nossa vida. Se o que estiver aqui escrito não tiver um toque de realidade, será um mero divertimento ou passará batido. Espero que algo daqui fique, e para sempre.


Deus abençoe a todos.